January 23rd, 2009 | by jmopinheiro |
Peter Hunt prestigiado investigador e escritor de literatura inglesa, de acordo com notícia da rádio RFM, no Congresso Internacional de Promoção da Leitura, na Gulbenkian, no dia 22 de Janeiro 2009, de acordo com estudos realizados no Reino Unido, Hunt é de opinião que os jovens lêem menos e que revelam dificuldade ao nível da interpretação. Para este facto, fazendo fé na notícia e se ouvi claro, aponta o dedo às TIC, não sei bem se à Internet em especial, dizendo que, o uso destas tecnologias ocupam a maior parte do tempo dos jovens não deixando espaço para ler.
Ora bem, a notícia tem o valor que tem, no entanto, será que Peter Hunt se referia a leitura de livros não digitais? Bom também não é isso importante. Importante é a reflexão…
Estou de acordo quando refere que os jovens têm dificuldade em interpretar. As causas do problema estarão com certeza a montante. Quais? Em particular não sei apontar, mas leia-se o clipping da Glbenkian:
Ler o quê? Tudo. Anúncios, legendas, jornais e até receitas de culinária, mas principalmente literatura. E para quê? Para ampliar as capacidades do cérebro, aprender a pensar, a ver com o olhar dos outros e a recriar emoções ou sentimentos. A leitura torna o mundo mais inteligível e as pessoas mais inteligentes. Além disso, está vinculada directamente à educação e à cultura e também ao desenvolvimento social e económico sustentado de qualquer país. Quem o diz são os especialistas em promoção da leitura
“Se quisermos formar ‘leitores funcionais’, pessoas que conseguem ler o suficiente para ter uma vida normal, como saberem ler anúncios ou um aviso para que não caiam num buraco mais adiante, então pouco importa o que lêem. Para isso, servem os jogos de computador, os jornais, as bandas desenhadas ou a televisão.Se quisermos formar leitores que consigam compreender uma linguagem complexa, para que a sua vida seja também mais complexa e interessante, então, provavelmente, estes leitores precisarão de ler ficção, romances - livros”, explica o autor de Children’s Literature: Critical Concepts in Literary and Cultural Studies.
Peter Hunt “Irá reflectir sobre o que se passou nos últimos 30 anos na literatura infantil. O que é que mudou? Qual é a diferença entre os livros de hoje e os de então? Será que perderam qualidade? As componentes gráficas e ilustrativas são diferentes? O álbum será uma influência dos meios visuais que está a contaminar a escrita para as crianças? No fundo, pôr o livro em questão.”
Um estudo do Reino Unido relativo a 2008, apresentado por Hunt, conclui que, “nos últimos 30 anos, ocorreu uma mudança radical na natureza dos textos escritos para crianças (e no conceito de infância implícito), especialmente em termos de estilo, ritmo e complexidade de referências e estruturas intertextuais e intratextuais” [http://www.gulbenkian.pt/index.php?section=49].
Para terminar, independentemente da fidelidade da notícia, fica aqui levantada a discussão:
Jovens lêem menos e interpretam mal – causa: envolvem muito do seu tempo com as TIC…
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By Jaime on Jan 23, 2009
Acho interessante este tema porque me toca de forma muito directa. No entanto, convém referir que esta ideia vem precisamente contradizer o último relatório do Plano Nacional de Leitura, que aponta para um aumento significativo do número de leitores e de obras lidas.
Para se ter uma visão ampla da questão e encontrar possíveis respostas para ela com o
intuito de descobrir razões para este problema aqui levantado, é necessário conhecer a natureza e a causa numa relação com os contextos. Podemos pensar
sob vários aspectos: por exemplo, uma criança que cresce num ambiente sem incentivo algum à cultura e à leitura, certamente encontrará maiores dificuldade em desenvolver hábitos educacionais de leitura. Pais que não lêem
ou não compram livros, não conseguem estimular os filhos a fazerem o mesmo. Deixar de
trabalhar a leitura em momentos cruciais do desenvolvimento da criança pode comprometer essa aptidão no futuro, pois como alguém também já referiu “o leitor deve ser cultivado,
alimentado, estimulado desde cedo”. Mas mesmo a escola, não será também ela castradora dos hábitos e gostos pela leitura quando, por exemplo, impõe obras e textos de leitura obrigatória, que por vezes nada dizem aos alunos?
Bom… sem mais questões, porque isto daria “pano para mangas”, pessoalmente acho (e tenho quase a certeza) que nunca como hoje os alunos leram tanto. Agora podem não ler o que realmente é importante e necessário para o desenvolvimento de competências necessárias para as suas vida futuras. Mas há algo que os satisfaz: gostam de ler, quando têm oportunidade de escolha.
By Jaime on Jan 23, 2009
Não me referi ao problema da interpretação, porque precisaria de primeiro saber o que é que cada um entende por “interpretação”. Penso que o conceito de cruza com o de “compreensão”, mas não são sinónimos. “Interpretar” é mais profundo do que “compreender”, assim como também não se poderá interpretar, sem primeiro se compreender qualquer que seja a mensagem.
By diogo on Jan 23, 2009
É um bom tema, embora para mim uma falsa questão.
Se calhar a literatura devia adaptar-se aos tempos modernos. Se os alunos não lêem livros a culpa é de quem? Deles? Dos pais? Dos professores? Da Internet?
O problema como diz o Pinheiro é a montante… Má adaptação das escolas e dos programas ao fenómeno, má preparação dos pais para se adaptarem e promoverem essa necessidade (de pequenino se torce o pepino), livros carissimos com responsabilidade das editoras que gastam mundos e fundos no acessório… Os miúdos e a Internet são na minha modesta opinião os menos culpados…
Entretanto as maiores editoras dos EUA e a Google celebraram um acordo para facilitar o acesso livre a centenas de milhares de livros…
http://books.google.com/intl/pt-PT/googlebooks/agreement/
By marlene on Jan 23, 2009
Os miudos passam a vida a ler… e a escrever… nos telemóveis e na Internet. O problema implícito é mesmo o “como”. Normalmente observo os miudos e muitos quando têm que “copiar” algo que eu coloco no projector de vídeo (para além de reclamarem que eu poderia fornecer-lhes o mesmo sem terem o trabalho de copiar) copiam tudo mal. Quando eu lhes confronto com os erros, dizem, depois corrijo. E efectivamente depois, se houver corrector, mudam a palavra mas nem sequer lêm o que lá colocam, por vezes, a palavra que lhes sai na rifa é outra completamente fora de contexto… A linguagem deles passa mesmo mesmo pelos “x” os “k” os “obg”. Como contornar? Como motivar? Vivemos num mundo das “abreviações” - quanto mais rápido, mais simples, menos exigente… melhor!
By euclides on Jan 23, 2009
MOTE:
Jovens lêem menos e interpretam mal – causa: envolvem muito do seu tempo com as TIC…
A questão é tão vasta e tão complexa…
Se os jovens andam a ler menos? Não sei..
Uma possível solução: famílias com condições económicas aceitáveis e dignas; pais informados que leiam, que comprem livros, que contem histórias de embalar, enquanto é tempo…
Conheço (muitos) jovens que lêem pouco e interpretam mal. A causa não está nas TIC (porque mal têm acesso a elas).
Por outro lado, conheço crianças que lêem muito e sabem muito de TIC. Uma, que conheço particularmente, com onze anos, pela enumeração dos livros que leu, concluí que já ultrapassou as 10 mil páginas! Os pais são professores e livros é coisa que não falta lá em casa. Como usa óculos, a família proibe-a de ler tanto quanto quer. Já me mostrou (não raras vezes) lapsos que corrigiu em autores consagrados (para a sua idade)…
Ah, sabe tic a potes…
By Педро всегда он-лайн on Jan 23, 2009
Também podemos falar de hábitos/métodos de concentração. Muitas vezes noto nos meus alunos a falta de concentração na execução de tarefas de leitura. Até já me dei ao trabalho de confrontar os meus alunos com “jogos” de leitura onde caiem sempre no mesmo erro porque não apresentam concentração na tarefa. Sentir a leitura significa que se compreende aquilo que lê e muitas vezes o que acontece é que nem os processos de memória funcionam porque o grau de distracção é grande.
By vimafe on Jan 24, 2009
Para contrapor este post, do meu colega Pinheiro, vou sugerir a leitura de outro post, no blog pessoal do Professor Luís Pedro em http://nitratodocaos.blogs.ca.ua.pt/tudo-o-que-e-mau-faz-bem/
By Rafael on Jan 24, 2009
Do que vejo no meu dia a dia, (poderá acrescentar alguma coisa aos estudos que se fazem sobre o assunto) de uma maneira geral, os alunos não conseguem perder muito tempo com a leitura, a não ser que sejam textos curtos. Têm dificuldade em perceber o que está escrito se o conteúdo estiver longe das suas referências. Como tal, essa dificuldade também se reflecte na reprodução das ideias em texto, quando necessário.
São alunos que só agora tiveram contacto com as TIC, mas já se passeiam pelo Hi5. Todos têm telemóvel e trocam sms.
São oriundos da classe média-baixa.
Parece-me que os hábitos de leitura não lhes foram incutidos na infância.
By euclides on Jan 24, 2009
Correcção: 5 mil.
By carlosr29 on Jan 24, 2009
Lêem mal segundo os padrões estabelecidos…no entanto eles comunicam muito mais do que nós comunicavamos com tinhamos a mesma idade, provavelmente escrevem muito mais do que escreviamos. Que não têm hábitos de leitura, isso é verdade..se falarmos de livros (sobretudo aqueles de carácter obrigatório - só por isso já dºa gozo não ler!) Qua escrevem mal e têm dificuldade em interpretar isso também é verdade - mas a maioria dos adultos também não consegue interpretar a forma como eles escrevem os sms ou no msn!)
Além do mais esta ideia soa-me a “déja vu” - as gerações anteriores estão sempre a criticar as gerações seguintes. Por isso “don’t put the blame on ICT”